Luíza é uma jovem estudante de Biologia no litoral de Santa Catarina cuja vida é atravessada pelas dores de uma maternidade solitária e não romantizada. A trama se inicia no findar de 2019, quando ela tenta acalmar sua filha Amábile em meio aos fogos de artifício, enquanto o mundo começa a ouvir os primeiros alertas sobre uma nova doença em Wuhan. Abandonada pelo companheiro, Elias, e expulsa de casa pelo pai após a gravidez, Luíza enfrenta a pobreza extrema e a descoberta do autismo da filha em meio ao isolamento da pandemia de COVID-19.
Quando Luíza contrai o vírus de forma grave durante uma segunda gestação não planejada, a narrativa atinge seu ápice emocional. Entre o delírio da UTI e a luta pela sobrevivência, ela é forçada a confrontar o passado de sua própria mãe, a ausência dos homens de sua vida e a inesperada figura de sua sogra, Ivone, que surge como uma improvável rede de apoio. O livro é um relato visceral sobre a perda de identidade feminina sob o rótulo de ""mãe"" e a reconstrução de si mesma através da solidariedade entre mulheres.